Alto Tietê apresenta sinais claros de crise hídrica, aponta Cemaden
Cemaden aponta sinais claros de crise hídrica em São Paulo O Sistema Produtor do Alto Tietê (SPAT) apresenta sinais claros de crise hídrica, de acordo com o...
Cemaden aponta sinais claros de crise hídrica em São Paulo O Sistema Produtor do Alto Tietê (SPAT) apresenta sinais claros de crise hídrica, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os reservatórios da região registram quedas constantes de volume desde abril de 2025. Desde maio, todos os meses ficaram abaixo da quantidade de chuva esperada para manter as represas. Longos períodos de estiagem e o baixo volume de chuvas fazem parte das condições hidrológicas desfavoráveis na bacia, como vazões afluentes abaixo da média e níveis iniciais baixos nos reservatórios. O SPAT, assim como o Sistema Cantareira, enfrenta o nível mais crítico desde a crise hídrica de 2014. Volumes tão baixos só foram registrados em outras duas ocasiões nos últimos 26 anos: em 2004 e 2015. Represa do Rio Jundiaí, em Mogi das Cruzes, faz parte do Sistema Produtor do Alto Tietê g1 / Cauê Adamuz Segundo as pesquisadoras de hidrologia do Cemaden, Elisangela Broedel e Adriana Cuartas, a seca atual é causada pela falta de chuva e pelas altas temperaturas dos últimos anos. “A intensidade e persistência resultam de uma combinação de fatores, que incluem precipitações abaixo da média, distribuição irregular (temporal e espacial) das chuvas, temperaturas persistentemente elevadas, que intensificam as perdas por evaporação e aumentam a demanda por água”, explicam. “A irregularidade das chuvas, frequentemente caracterizada por ocorrência concentrada em poucos episódios, em alguns casos muito intensos e em curtos intervalos de tempo, reduz significativamente a eficiência da recarga dos Sistemas Produtores.” afirmam. De acordo com dados da Sabesp, janeiro deveria registrar 232,1 mm de chuva até o dia 30. O acumulado até esta segunda-feira (16) representa 62,1% desse total. Os valores são considerados otimistas para alcançar a média histórica da companhia, após oito meses de quedas. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp O verão costuma ser o período mais aguardado para a recuperação dos sistemas de abastecimento em São Paulo. No entanto, a previsão para janeiro a março, meses mais chuvosos do ano, já não é tão otimista. “O verão de 2026 já se iniciou com volumes de chuva abaixo da média na região, e as previsões indicam precipitações próximas ou inferiores à média ao longo da estação, o que reduz ainda mais o potencial de recuperação”, afirmam as pesquisadoras. LEIA TAMBÉM Verão no Alto Tietê deve ter pouca chuva e temperaturas acima da média em 2026 Mesmo que as chuvas fiquem acima da média durante o verão, não é possível garantir uma recuperação satisfatória do sistema. “A resposta do SPAT não depende apenas do volume total de precipitação, mas também da distribuição temporal das chuvas, da regularidade ao longo das semanas”, concluem. De acordo com as especialistas, a perspectiva mais realista para o sistema é a manutenção das condições críticas ao longo do restante da estação chuvosa e um declínio da disponibilidade hídrica durante o período seco de 2026, de abril a setembro. Nessa época, as precipitações são naturalmente mais escassas, mas existem possíveis alívios temporários, caso ocorram eventos de chuva mais concentrados. Em visita a Biritiba-Mirim, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, Natália Rezende, ressaltou que São Paulo vive com uma disponibilidade de água que é 10 vezes menor do que o recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). "Enfrentamos uma situação de escassez hídrica crônica, sobretudo na região metropolitana de São Paulo. Com uma população de mais de 22 milhões de pessoas, precisamos urgentemente melhorar nossa segurança hídrica e nossa resiliência." O Sistema Produtor do Alto Tietê (SPAT) é um conjunto de cinco reservatórios localizados entre Suzano e Salesópolis. Eles abastecem mais de 4,5 milhões de pessoas da região da Grande SP. Soluções No curto prazo, especialistas destacam a importância de fortalecer o monitoramento contínuo dos níveis dos reservatórios, das chuvas e das vazões para orientar decisões. Também é fundamental conscientizar a população sobre o uso eficiente e restritivo da água, por meio de campanhas, acompanhamento do consumo e, se necessário, restrições mais severas, como o racionamento Sistema Produtor Alto Tietê Represa de Biritiba Mirim é a única do SPAT com mais de 30% de volume útil Natan Lira/G1 O Sistema Produtor do Alto Tietê (SPAT) registrou pela primeira vez em meses uma sequência de resultados positivos, mesmo que mínimos. Entre dezembro de 2025 e até a primeira metade janeiro de 2026 houve um aumento de 3% do volume útil dos reservatórios. Esse aumento pode ser atribuído às grandes quantidades de chuvas registradas na região nas últimas semanas. Entre o dia 12 de janeiro e esta segunda-feira (19), foram 77,4 milímetros de chuva. O índice ainda é bem abaixo do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando os reservatórios operavam em 40,6%. Mesmo assim, foi o suficiente para as represas alcançarem níveis mais animadores. A represa Biritiba, por exemplo, registrou mais de 30% de volume útil pela primeira vez em um pouco mais de seis meses. Confira o mapa: Assista a mais notícias sobre o Alto Tietê